Àquela altura do dia, qualquer ruído soava de maneira estrondosa e os gravetos caídos pelo chão relembravam-no disso a todo o instante. "Mais um pouco", mentia para si mesmo. "Somente mais uns poucos metros". Caminhava incessantemente, percorrendo cada centímetro sem esquecer do ruído infernal. Ah, aquele barulho ecoava, ressoava e permanecia deixando-o louco. O ser seguia seu caminho. O som não parava, tilintava em sua mente como pequenas agulhadas melódicas. A criatura sabia que aquilo seria a sua sina, mas prosseguia, não podia ficar onde estava. Permanecer ali seria um erro, devia caminhar e fazê-lo mais depressa. As árvores pareciam todas iguais em meio à escuridão mórbida que se fazia. O suor já lhe corria frio na lateral do pescoço. O ruído não para, não cessa, prossegue junto a ele, como se o seguisse. O suor evaporando já causava-lhe frio devido ao ar gélido daquela noite. "Mais um pouco, só mais um pouco", mentia novamente. Aquela brisa, antes gelada, tornava-se morna, cada vez mais morna e úmida. Sentiu-a próxima e definida. Sentiu-a próxima, definida e em seu pescoço. "Não, por favor não", pensava amedrontado. Sim, havia algo ali, certamente havia. "O que faço, será que devo me virar?", o medo já o consumia, a mistura de suor e frio o fazia ter calafrios. Àquela altura era difícil raciocinar direito: a angústia e o batimento cardíaco acelerado tiravam sua concentração. "Pode ser melhor prosseguir. Ou talvez seja melhor enfrentar o que quer que seja logo". As baforadas contínuas davam-no a sensação de que o tempo corria mais rápido e a espera o punha mais vulnerável. "Não há mais o que fazer, verei o que está aqui...", decidiu finalmente.
Essa decisão poderia trazer um arrependimento profundo, ou um cândido alívio. Virou-se. De fato, não poderia existir arrependimento maior.



