segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma certa angústia



A pequena criatura fitava o tênue entardecer com os olhos já inundados por uma angustiante espera. Uma espera que o corroía e o amedrontava à medida que os segundos transformavam-se em minutos. As cores empalideciam-se, as sombras perdiam a forma e o sol baixava cada vez mais, até que o que se via era somente imagens escuras. Sabia que aquela floresta de sons e formas assombrosas era o seu destino, mas faiscava dentro de si a esperança de um caminho alternativo. Não, não havia qualquer outra alternativa.
Àquela altura do dia, qualquer ruído soava de maneira estrondosa e os gravetos caídos pelo chão relembravam-no disso a todo o instante. "Mais um pouco", mentia para si mesmo. "Somente mais uns poucos metros". Caminhava incessantemente, percorrendo cada centímetro sem esquecer do ruído infernal. Ah, aquele barulho ecoava, ressoava e permanecia deixando-o louco. O ser seguia seu caminho. O som não parava, tilintava em sua mente como pequenas agulhadas melódicas. A criatura sabia que aquilo seria a sua sina, mas prosseguia, não podia ficar onde estava. Permanecer ali seria um erro, devia caminhar e fazê-lo mais depressa. As árvores pareciam todas iguais em meio à escuridão mórbida que se fazia. O suor já lhe corria frio na lateral do pescoço. O ruído não para, não cessa, prossegue junto a ele, como se o seguisse. O suor evaporando já causava-lhe frio devido ao ar gélido daquela noite. "Mais um pouco, só mais um pouco", mentia novamente. Aquela brisa, antes gelada, tornava-se morna, cada vez mais morna e úmida. Sentiu-a próxima e definida. Sentiu-a próxima, definida e em seu pescoço. "Não, por favor não", pensava amedrontado. Sim, havia algo ali, certamente havia. "O que faço, será que devo me virar?", o medo já o consumia, a mistura de suor e frio o fazia ter calafrios. Àquela altura era difícil raciocinar direito: a angústia e o batimento cardíaco acelerado tiravam sua concentração. "Pode ser melhor prosseguir. Ou talvez seja melhor enfrentar o que quer que seja logo". As baforadas contínuas davam-no a sensação de que o tempo corria mais rápido e a espera o punha mais vulnerável. "Não há mais o que fazer, verei o que está aqui...", decidiu finalmente. 
Essa decisão poderia trazer um arrependimento profundo, ou um cândido alívio. Virou-se. De fato, não poderia existir arrependimento maior.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Meninas, NÃO É REAL!

Meeeeeeeimpolguei :D Pois é, xente, resolvi escrever mais hoje mesmo.

Estava eu, sentada na sala de espera do pronto atendimento médico do hospital Mãe de Deus Center (fui buscar a cura para a minha tosse incessante), quando vi que na televisão passava o filme da sessão da tarde. Surpreendentemente não era nada relacionado com "uma turminha do barulho" ou com "o cachorro que joga...".  A programação daquela tarde era um daqueles filmes do tipo comédia romântica feito para meninas, no qual tudo dá certo e a protagonista transforma o homem amado em uma pessoa completamente fiel e apaixonada. Isso me fez refletir sobre uma pseudo-conversa (pseudo porque foi por twitter) que tive justamente sobre a mania feminina de tentar mudar os homens. As mulheres, em geral, sempre reclamam dos homens por motivos de "cafajestagem" e os generalizam após uma desilusão.
Porém, uma das causas dessa situação é justamente a ideia passada pelo tipo de filme que citei. Esses passam às meninas a concepção do "sapo que vira príncipe". Neles as personagens femininas se apaixonam por homens/meninos "errados", com desvio de caráter, imaturos ou infiéis e mudam esse comportamento como que por um passe de mágica. Atenção, meninas: ISSO NÃO ACONTECE! É mentirinha, vocês não podem mudar a essência de uma pessoa. Ficar insistindo para mudar alguém só vai trazer a vocês sofrimento e decepções. O pior de tudo isso é que não existem apenas homens/meninos desse tipo. Porém, "O que as mulheres querem" (alusão à série, fuckers) é sentir-se importantes, ter a sensação de que elas fizeram a diferença, imaginar que são essenciais para essa pessoa. Claro que não há nada de errado em querer ser importante, mas essa não é a única forma de tornar-se especial para alguém. Repito: existem caras legais no mundo, basta olhar atentamente e romper com esse pensamento utópico. Essa idealização trazida pelos filmes "de menininhas" faz com que os caras legais, que têm princípios, caráter e cérebro (sim, cérebro é bem necessário. hehe) achem que há algo de errado com eles e que não vale a pena ser assim. As meninas, por outro lado, acham que os homens são todos cafajestes.
Yes, we have this problem :/
That's it, people. Apesar de estar fazendo uma crítica aos filmes "para meninas/mulheres", vi um muito bom que retrata um pouco dessa situação que falei e, mais importante, a critica. O nome do filme é "Ele não está tão afim de você". Tá, eu sei que esse título é meio condenável, mas não julguem o livro pela capa, é um bom filme. Acabooou, besos, hasta luego!

Pedido de desculpas seguido de televisão de novelas com pipoca.

I'M BAAAACK!
Gente, sei que essa é a segunda vez que eu falo isso, mas agora é sério. Gostaria, primeiramente, de pedir desculpa a todos que acompanham o blog pelo meu afastamento. Bem, não tenho uma explicação decente para dar, a verdade é que eu estava sem inspiração. Pois é, folks, estava em uma maré ruim. Tentei vir aqui e escrever algumas coisas. Tentei diversas vezes postar algo novo, mas tudo ficava ruim. Porém, acho que agora conseguirei voltar à ativa :)

Como havia prometido, escreverei uma nova série de posts cujo enfoque será a padronização da sociedade contemporânea.

Pode-se notar, nas pequenas situações do cotidiano, nas banalidades e trivialidades rotineiras, o quão padronizado está o comportamento das pessoas. Como eu citei em um post anterior, a viagem de formatura para Porto Seguro é um exemplo claro disso. Todos estão tão habituados a ter esse comportamento e, quando alguém manifesta uma opinião contrária à viagem, os demais acham super esquisito, quase uma anomalia. Agora, por que esse tipo de reação a certas "verdades" sociais está cada vez mais comum? Bem, provavelmente porque as pessoas estão, também, muito mais manipuláveis. Sim, exatamente, MANIPULÁVEIS. Isso pode ser facilmente observado através da frequência das ditas "modinhas". Pois é, José, as "modinhas" não são, nada mais, nada menos, do que o fruto de mentes manipuladas por determinado movimento, até que chegue outro e o anterior perca o seu espaço. Parece que essa onda está se tornando a marca do momento histórico atual. Assim como chegam de forma avassaladora, definham rapidamente e quase que por completo, deixando poucos adeptos que logo passarão para a onda seguinte. Como havia dito no post introdutório da série, a atual cultura de mosaico, ou seja, a cultura da retenção de conceitos atirados, em assimilação, é fundamental para que os seres humanos tornem-se suscetíveis à indução. Agora é o momento no qual eu sou clichê: A mídia tem grande participação nisso, sim! O importante é compreender que a mídia não é neutra e ela passa uma opinião o tempo todo, portanto, a supremacia midiática de certo grupo gera uma massificação da opinião pública. A televisão principalmente, mas os demais veículos de informação também, têm criado uma legião de zumbis que repetem frases desconexas, sem nem ao menos saber o porquê. Desde a invenção até o atual momento, as TVs vêm ganhando cada vez mais espaço na vida dos cidadãos. Sem nos darmos conta, ela já virou acessório indispensável dos lares do mundo. Os brasileiro passam, em média, 3 horas e meia em frente a ela. O grande problema disso é o material apresentado à população. Analisando agora em escala nacional, as novelas são o grande xodó dos brasileiros. Porém, o que temos de conteúdo aproveitável nesse tipo de programa? Quase nada. Além disso, as telenovelas têm condicionado a população a aspirar a uma realidade inexistente, onde todos são bonitos, ricos e bem-sucedidos. Ah, deixando claro que assim é no final da novela, mas, via de regra, todos os personagens ditos "bons" terminam desse forma e, claro, sem necessitar muito esforço. Além disso, esses programas definem a felicidade como "casar e ter um filho". Sim, o casamento e a maternidade/paternidade é o ápice da alegria de 90% dos personagens. Por que isso? Esse ideal é um dos que compõem o mosaico da mente do brasileiro. Para finalizar: NOVELA NÃO É REALIDADE, ok?

Esse foi o segundo post da série "comportamento padronizado". Como sempre digo: pensem sobre isso, reflitam e continuem lendo os meus posts que assim vocês me deixam feliz :)
Beijoquitas!

sábado, 6 de novembro de 2010

Ela tinha 6 anos.

O carpete no piso, as cores neutras da sala e a expressão calma e contemplativa da conselheira tutelar à sua frente: nada podia fazê-la sentir-se à vontade. A menina olhava fixa para a parte descascada da parede, sem querer encarar os olhos serenos de quem tentava ajudá-la. As escoriações e hematomas funcionavam como sinalizadores, lembretes do que estaria por vir caso contasse a verdade. Permanecia calada. Suas 6 primaveras não era suficientes para fazê-la entender a situação por completo. Sabia apenas uma coisa: mamãe e papai ficariam muito zangados se ela contasse...muito zangados mesmo...tão zangados que...

Essa poderia ser uma história real.





Obs.: Alusão à reportagem de ontem à noite do Jornal da Band sobre crianças vítimas de agressão...pelos próprios pais. Não quero colocar imagem nesse post, mas separei uma aqui

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Coisas que andei pensando.

Hello, pretty people! Hoje vou divagar mesmo, estejam preparados para idéias desconexas. Ah, não terá figura.

Divagação número 1: Vocês já se confundiram com alguma marca? Estava pensando sobre isso já faz um tempo...Todos sabem (espero) que quando uma empresa/marca é registrada seu nome não pode ser copiado. Okay, muito digno. Porém, há espertinhos que tentam confundir a população criando nomes MUITO parecidos ou até buscando certa semelhança no tipo de letra do logotipo, etc. Certo dia deparei-me com um local na Av. Venâncio Aires cujo nome era "Instituto Cervantes". Pensei: "Nossa, o Instituto Cervantes (famosa instituição de cultura espânica) tem outra sede em Porto Alegre?" Achei aquele ambiente meio estranho, pois era um local pequeno, com um aspecto um tanto poluído, mas tudo bem. O que me chamou a atenção foi que, pendurado no muro do local, estava um banner com preços promocionais de cursos de espanhol e de outras línguas por um preço bem acessível. Achei estranho. Sempre pensara que a mensalidade das aulas lá fossem bem mais caras que as do Yázigi (onde estudo espanhol). Curiosa com o fato, procurei na internet as duas sedes: a localizada na Venâncio e aquela cujo endereço é em uma travessa da Carlos Gomes, não lembro o nome agora. Entrei em alguns sites e vi um comentário dizendo mais ou menos o seguinte: "Isso é uma farsa! Esse não é o verdadeiro Instituto Cervantes. Fui lá achando que era e saí decepcionado." Depois de ler isso entendi tudo. Isso é indignante mesmo. Esse não é um caso isolado, portanto tenham cuidado com esse tipo de propaganda enganosa, folks, watch out!

Divagação número 2: Hoje alguns amigos meus da internet estavam sentindo-se solitários. Percebi que por mais que eu tentasse ajudá-los, não seria a mesma coisa que alguém próximo. Isso me deixou triste. Não poder fazer nada me deixou triste. Não estar perto deles também me deixou triste. Conheci tanta gente realmente legal com essa iniciativa do vlog, com o twitter, etc. "Conheci" tanta gente que eu queria conhecer de verdade. Será que um dia estaremos frente-a-frente? Não sei. Espero que sim, mas é apenas um desejo. Às vezes que eu me pego pensando à respeito...

Divagação número 3: Direitos e deveres estão muito difundidos. Todo mundo que é irritadinho e argumenta muito (mesmo sem razão) acha que deve cursar Direito. Todo adolescentezinho revoltado se acha com mais direitos do que qualquer um. PAREM COM ISSO! Se tem uma coisa que eu não estou suportando ultimamente são essas pessoas que falam muito em direitos e não pensam nos deveres. Que tal pensar nas dores de cabeça que você deu aos seus pais antes de exigir tanto deles? Que tal pensar na falta de atenção e comprometimento em classe antes de falar mal do professor? Que tal? Juntamente com essa questão vem o respeito. Respeito é difícil de ser encontrado hoje em dia. Não falo de submissão, são duas coisas diferentes. Quando duas pessoas possuem posições diferentes sobre determinado fato, elas podem expor suas ideias tranquilamente e debater sem se agredir. Entretanto, é comum o pensamento de que toda discussão é uma agressão, fazendo com que as pessoas achem normal perder o respeito. Também é importante dizer que respeito não consiste apenas em chamar ao outro por pronomes de tratamento, mas também preservar a tranquilidade, sem exaltações e tons de superioridade. Resumindo: FALAR NUMA BOA. Odeio quando vejo algum aluno falando para qualquer professor "O senhor, como professor, tinha a obrigação de..." Em primeiro lugar, você cumpre suas obrigações de aluno perfeitamente? Quem é você para dizer as obrigações de uma pessoa sem cumprir as suas? Além do mais, deve ser um momento de irritação extrema ouvir alguém com, possivelmente, metade da sua experiência lhe fazer exigências e cobranças. Talvez mais que metade da idade, whatever, vocês entenderem, folks.

This is it. Clichê serem três divagações, né? Bem, acontece, acontece...See you later, aligator! (cara, eu sou tosca, eu sei) Beijoquitas e continuem lendo!

domingo, 31 de outubro de 2010

NOVIDADE, NOVIDADE!

Olá, metamorfoses ambulantes! Andei um tanto afastada do blog porque estava lidando com outros projetos, entre eles, o vlog. Sim, criei um vlog! Bem, ele está no início, tem apenas 2 vídeos e é em conjunto com um amigo. A idéia é diferente da do blog, o público alvo também é, de certa forma, diferente, mas se vocês se interessarem este é o canal.
Entretanto, apesar de estar afastada, estou com um projeto diferente em mente para o blog. A ideia consiste em fazer uma série de textos sobre um assunto que tem chamado bastante a minha atenção: Comportamento Padronizado. 
A idéia de fazer uma série de posts advém da necessidade de abordar o assunto de uma maneira mais aprofundada sem que ele se torne massante. Logo, os textos serão independentes. Sim, tartarugas ninjas, vocês podem ler somente os que quiserem sem perda de conteúdo, porém, terão um entendimento maior se acompanharem todos. E por que comportamento padronizado? Well, well...a ideia surgiu das minhas divagações e observações cotidianas. Vocês já repararam como a sociedade atual tende a ter as mesmas reações, a ter os mesmos desejos e a pensar da mesma maneira? Andei pensando e lendo muito sobre isso.
Há alguns dias comprei uma revista chamada "Memória da Psicanálise" e me deparei com um texto de título "Na contramão da cultura de mosaico". O artigo trata da análise de uma nova ideologia do pensamento global como um acúmulo de informações sem nexo, que são apenas "atiradas" em nossa mente, constituindo um mosaico.
Bom, para não estragar os futuros post adiantando alguma coisa eu vou citar algumas frases do texto da revista que explicam um pouco o meu pensamento:
"O fundador do Instituto de Psicologia Social da Comunicação da Universidade e Estrasburgo, o engenheiro francês e doutor em física e filosofia Abraham Moles (1920-1922), no esforço de pensar a cultura de massa, mostra que estamos sendo levados a ter as mesmas reações. Tendemos, então, na visão de Moles, a uma cultura de mosaico, composta por pequenos pedaços colocados juntos sem nenhuma relação entre eles, registrados na mente do público pelos meios de comunicação de massa. Uma cultura que pode até ser muito ampla, mas se baseia na ausência ou recusa de um esforço para entender o que nos é apresentado como informação. Esse problema está diretamente relacionado com a transmissão, assimilação, e continuidade da produção do conhecimento e traz à tona a necessidade de que as coisas sejam mostradas em suas articulações para que possam ser entendidas."
Então é isso, leitores queridos! A partir de agora o blog terá um novo marcador: Comportamento Padronizado. Acompanhem, opinem, pensem à respeito e melhor, pensem por si próprios!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O inconveniente

"Sim, sou eu, senhor, o inconveniente. Sei que o envergonho, sei que envergonho seu País, sei que sou a razão de muito mal. Porque sou uma massa de manobra? Por que tenho 10 filhos sem poder sustentar? Por que vendo o meu voto? Por que não tenho cultura, não leio, não vou estudar? Sei que meu Bolsa família, Bolsa escola, Bolsa tudo vêm do seu imposto e o senhor não anda nada contente com isso. Sei que meus filhos marginalizados causarão muita dor de cabeça ao senhor, preocupado com a segurança de seus filhos que, hora ou outra, têm que passar perto da favela onde moro, com medo de que seus Ipods e tênis caros sejam roubados, eu sei. Desculpe-me pelos transtornos, por não eleger quem trará maior lucratividade à sua empresa, por arrastar os índices de desenvolvimento do País para a lama, por fazer com que o senhor prefira morar na europa à companhia de pessoas mais civilizadas, por ter minha entrada em uma faculdade facilitada pelas cotas. Perdão, sei que sou o inconveniente."

O inconveniente não tem nome, é o povo. Ele sofre de males que "o senhor" sequer imagina. O senhor o repele, o nega, o pune, o insulta e o julga, sem entender que ele é, em maior parte, fruto de um meio árduo. Para que o inconveniente sofra uma transformação, é necessário ajudá-lo em três pilares básicos para que ele tenha uma vida digna e próspera: Educação (escolas e acesso à cultura); Saúde (tratamento eficaz e otimizado) e Qualidade de Vida (poder de compra, transportes de qualidade, saneamento, etc). Assim, senhor, entenda que mudar a vida do inconveniente para melhor, é fazer o mesmo com a sua.