sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O inconveniente

"Sim, sou eu, senhor, o inconveniente. Sei que o envergonho, sei que envergonho seu País, sei que sou a razão de muito mal. Porque sou uma massa de manobra? Por que tenho 10 filhos sem poder sustentar? Por que vendo o meu voto? Por que não tenho cultura, não leio, não vou estudar? Sei que meu Bolsa família, Bolsa escola, Bolsa tudo vêm do seu imposto e o senhor não anda nada contente com isso. Sei que meus filhos marginalizados causarão muita dor de cabeça ao senhor, preocupado com a segurança de seus filhos que, hora ou outra, têm que passar perto da favela onde moro, com medo de que seus Ipods e tênis caros sejam roubados, eu sei. Desculpe-me pelos transtornos, por não eleger quem trará maior lucratividade à sua empresa, por arrastar os índices de desenvolvimento do País para a lama, por fazer com que o senhor prefira morar na europa à companhia de pessoas mais civilizadas, por ter minha entrada em uma faculdade facilitada pelas cotas. Perdão, sei que sou o inconveniente."

O inconveniente não tem nome, é o povo. Ele sofre de males que "o senhor" sequer imagina. O senhor o repele, o nega, o pune, o insulta e o julga, sem entender que ele é, em maior parte, fruto de um meio árduo. Para que o inconveniente sofra uma transformação, é necessário ajudá-lo em três pilares básicos para que ele tenha uma vida digna e próspera: Educação (escolas e acesso à cultura); Saúde (tratamento eficaz e otimizado) e Qualidade de Vida (poder de compra, transportes de qualidade, saneamento, etc). Assim, senhor, entenda que mudar a vida do inconveniente para melhor, é fazer o mesmo com a sua.

4 comentários:

  1. "Para que investir na educação, se isso tornará o povo inteligente o suficiente para se rebelar e cobrar uma conduta de representante eleito DIGNA? Para que investir em algo que só dará fruto em vinte anos, num futuro incerto em que talvez meu partido não esteja mais no poder para conclamar os créditos? Para que tornar a vida do povo decente, se todo o sistema do capitalismo se baseia na separação da população em classes, cada qual designada para um papel mais ou menos afortunado na sociedade - afinal, precisamos de faxineiros e cozinheiros de McDonalds para suprir as necessidades dos banqueiros e empresários - ?"

    Eis a lógica do standard politician!

    Sejamos o inconveniente!

    Júúlia, continue assim, o blog tá cada vez melhor! :*

    ResponderExcluir
  2. Obrigada mesmo, Gi! Anda vendo zeitgeist e felipe neto? vulgo aulas de filosofia. HAHA.

    ResponderExcluir
  3. Wielbiciel.

    Ééé... A realidade do país torna o povo inconveniente.

    Adoro ler o que tu escreve. ;D
    Muito bom.

    ResponderExcluir
  4. Umas das frases "clichêzentas" mais verdadeira que existe: Só a educação pode mudar algo de verdade.

    Julia Meus parabéns por levantar sua voz para o que realmente importa, e obrigado por nos presentear com seus exelêntes posts, continue assim ! és a minha favorita da blogoesfera

    ResponderExcluir